FLIPELÔ 2021: Exposição ‘Fluxo e Refluxo’, com fotos de Pierre Verger, abre ao público no Solar Ferrão

A Fundação Pierre Verger Galeria e a Fundação Casa de Jorge Amado apresentam a exposição “Fluxo e Refluxo: do tráfico de escravos entre o Golfo do Benim e a Bahia de Todos os Santos, do século XVII a XIX”, que fica aberta ao público no Centro Cultural Solar Ferrão, do dia 17 de novembro de 2021 a 21 de março de 2022, das 10h às 17h. 

 

A exposição, que será aberta ao público durante a FLIPELÔ 2021, é composta por fotos de Pierre Verger, divulgadas no livro “Fluxo e refluxodo tráfico de escravos entre o golfo do Benim e a Bahia de Todos-os-Santos, do século XVII ao XIX”, publicado na França em 1968. 

 

Em 1935, de passagem no Togo e no Benim, quando Pierre Verger ainda não conhecia o Brasil ou a Bahia, encontrou várias pessoas com nomes portugueses (de famílias brasileiras), sem saber ainda que eram descendentes de africanos escravizados no Brasil. Ele entenderia apenas 15 anos mais tarde que eles eram agudás, ou seja, retornados do Brasil ao Benin e ao Togo, onde são chamados de Tabon.

 

No início dos anos 1950 voltou para o Benim, já muito próximo ao candomblé, com o propósito de mergulhar na história dos cultos afro-brasileiros, a religião dos orixás. Neste momento conheceu os agudás e encontrou a correspondência comercial de um brasileiro traficante de pessoas que tinha sido preservada por familiares. Na época, fora do Benim, quase ninguém sabia da existência da comunidade dos agudás e, menos ainda, a história desses retornados, nascidos na Bahia, descendentes de africanos escravizados que voltaram à terra dos seus ancestrais.


O tráfico de seres humanos, o “fluxo”, que forçou milhões de homens e mulheres africanos a saírem da África e seguirem para o novo mundo já estava sendo estudado e comentado. Mas o “refluxo”, a volta dessas pessoas que retornaram para a África ao terem comprado sua liberdade ou terem sido expulsos do Brasil após sua participação em revoltas escravas como a Revolta dos Malês, quase ninguém tinha abordado ainda.


A partir da vivência com as comunidades dos agudás no Benim e na Nigéria, da correspondência encontrada e do aprofundamento do tema em anos de pesquisas em arquivos no Senegal e no Benim, na França, Inglaterra e na Bahia, em Portugal e outros lugares, Verger publicaria o livro, que é um profundo estudo na área da história, apresentando com farta documentação de fontes, mostrando quais os diversos aspectos do tráfico forçado de pessoas que saíram do Golfo do Benim para a Bahia, e como um certo número deles voltou para a África, criando bairros brasileiros e levando algumas características culturais baianas para a terra mãe de seus ancestrais.

 

Reedição do livro

Para a reedição do livro, que já tinha ganhado uma versão inglesa pela universidade de Ibadan (Nigéria), em 1976, e uma primeira versão portuguesa pela editora Corrupio em 1987, a Fundação Pierre Verger, em parceria com a Fundação Casa de Jorge Amado, organiza no Solar Ferrão e na Galeria da Fundação Pierre Verger uma mostra baseada na temática do livro e que traz 56 fotografias de Pierre Verger, ilustrando as influências mútuas das culturas. 

 

Trata-se de fotografais reproduzidas na própria obra, num pequeno caderno de fotografias, e outras selecionadas em outros livros de Verger como “Dieux d’Afrique” e “Orixás”, todas parte do acervo fotográfico da Fundação Pierre Verger.


São imagens, muitas delas apresentadas em pares, que mostram, de um lado, as influências da cultura fon-iorubá na Bahia, consequência do fluxo e, do outro, a presença da cultura baiana em algumas cidades litorâneas na Nigéria e no Benin, consequência do refluxo. 

 

Trata-se de fotografias do contexto da religião, lembrando as origens do candomblé, mas também há imagens de contextos culturais diversos, incluindo o cotidiano, a arquitetura e, simplesmente pessoas que mostram posturas similares de pessoas fotografadas do outro lado do oceano atlântico. Muitas vezes torna-se difícil identificar em qual lado do oceano atlântico elas foram registradas ao olhar apenas as fotos, sem ler as legendas das fotos.

 

Na galeria da Fundação Pierre Verger neste momento também está exposta uma dezena de documentos originais de Verger, fruto das suas pesquisas na época para a preparação do livro Fluxo e refluxo. Trata-se apenas de alguns documentos dentre os milhares existentes no acervo da Fundação Pierre Verger (entre correspondências, anotações, projetos e rascunhos) e cuja digitalização será iniciada pela Fundação a partir de dezembro.

 

FLIPELÔ 2021

A programação completa da FLIPELÔ 2021 está disponível no site – www.flipelo.org.br e nas redes sociais do evento: Instagram (@flipelo) e Facebook (@flipelo). 

 

A Festa Literária Internacional do Pelourinho – FLIPELÔ 2021 é apresentada pelo Ministério do Turismo, pela Secretaria Especial da Cultura e pelo Instituto CCR, realizado na região da CCR Metrô Bahia, com patrocínio master da Rede MaterDei, Prefeitura de Salvador e Governo do Estado da Bahia; patrocínio do Itaú Social, Banco do Nordeste do Brasil e Bahiagas; apoio do Sebrae,  apoio de  mídia da Rede Bahia, Salvador FM, Irdeb-Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia, ITS Brasil, Eletromídia e Ponto Outdoor e apoio institucional da Academia de Letras da Bahia. O evento é uma realização da Fundação Casa de Jorge Amado, em correalização com o Sesc e uma produção da Sole Produções.

 

A Fundação Casa de Jorge Amado é mantida com apoio do Fundo de Cultura do Estado da Bahia e Shopping da Bahia e é considerada um ponto de referência na geografia cultural de Salvador.

 

Assessoria de Imprensa – Doris Pinheiro – 71 – 98896-5016 – com Roberto Aguiar, Rosana Andrade e Iven Vit

 

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